<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5544066247375136617</id><updated>2011-04-21T18:46:22.652-07:00</updated><title type='text'>Os círculos</title><subtitle type='html'>por Alfredo Alves Albuquerque</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oscirculos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscirculos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5544066247375136617.post-3562062187851521032</id><published>2007-07-05T08:18:00.000-07:00</published><updated>2007-07-05T08:20:39.671-07:00</updated><title type='text'>1</title><content type='html'>Às 20h34 meu olhar cansado encontra o pequeno simulador de relógio analógico no canto superior direito da tela do computador. Os olhos ardem. Meus dois dedos indicadores retiram grãos de areia que não existem debaixo das pálpebras fechadas. Quando a luz invade novamente a pupila, projeta em meu cérebro uma imagem inicialmente deformada. Aos poucos, a tela do computador reaparece diante de mim. Após nove horas de trabalho, já é tempo de interromper o fluxo de raios catódicos que soca minha cara, e eu desligo o monitor.&lt;br /&gt;Meu pescoço de concreto sustenta uma cabeça de chumbo. A cama, no quarto ao lado, está preparada para me receber. Em segundos meu travesseiro de espuma amortece o peso que carrego sobre os ombros. Ao som da música dos anjos, que o aparelho de som derrama dentro de meus ouvidos, concreto e chumbo se transformam em chantily, e minha cabeça derrete na espuma. 60 minutos mais tarde, meu corpo se recompõe e sai da cama em busca de um novo berço, um berço de fibra de carbono.&lt;br /&gt;Enquanto a banheira se enche de água, meu estômago se enche de Coca-cola, na cozinha. Conto dez passos até o banheiro e me entrego ao abraço da água quente. Milhões de formigas passeiam por minha corrente sanguínea e chegam à cabeça, deixando o cérebro desativado por vários minutos. Quando a água entra em equilíbrio térmico com meu corpo, o banho perde a graça. O cérebro volta a funcionar e comanda uma retirada estratégica para fora da banheira.&lt;br /&gt;Pegadas no carpete trilham um caminho que leva ao bar. O uísque passa pelo gargalo da garrafa e cai devagar no copo largo, ocupando dois dedos. Três pedras de gelo. Depois do primeiro gole os neurônios já estão funcionando novamente na capacidade máxima. Visto uma roupa qualquer. Meu corpo carrega meu espírito até o escritório e se acomoda na cadeira de rodinhas. A tela se ilumina novamente. Meus dedos tateam o teclado como irão tatear os bicos dos peitos de uma Assistente Sexual daqui a algumas horas, e digitam o código de acesso ao programa de requisição de sexo pago.&lt;br /&gt;Pela fibra ótica da rede videofônica chegam elétrons transformados em imagens. A primeira tela me informa que estamos no 5º dia da semana e que ainda tenho direito a duas experiências sexuais de minha cota semanal de três. A mensalidade vence em nove dias e consome 46% de meu salário. Palavras que entram e circulam livremente pela minha cabeça sem encontrar superfície de fixação. A segunda tela é um questionário. Digito: morena; cabelos curtos; pele branca; altura entre 1,60m e 1,65m; seios pequenos; olhos claros. Corpos desfilam no monitor. Vinte opções. Fico com a 14ª, que vou chamar de Sandra. Sandra virá às 23h. Enquanto o meu pinto faz uma conexão com a imaginação e cria um quebra-molas, sob a calça, na passagem da barriga para a perna esquerda, eu desligo o computador.&lt;br /&gt;A paisagem através da janela do 26º andar é uma pintura expressionista animada, cravada na parede. Mais da metade dos apartamentos do condomínio já tem sistemas de realidade virtual em suas paredes. Eles podem escolher suas próprias pinturas. Praias, florestas, cachoeiras, desertos. Sinto inveja. Descolo a bunda da cadeira, para chegar até a cozinha, e ataco as castanhas de caju, responsáveis pelos pneus de bicicleta que já começam a crescer em torno da minha cintura. Tomo mais uma dose de uísque, prá ficar mais ligado, e fico circulando pelo apartamento que tolera minha presença em silêncio.&lt;br /&gt;O relógio digital de parede faz um tic-tac imaginário que meus ouvidos escutam com clareza. Resolvo quebrar uma ansiedade nascente com um cigarro de Psycho, o equivalente sintético de plantas alucinógenas. Me transformo num ponto brilhante vagando entre cômodos escuros. O ponto se torna semi-estacionário, acima de minha cama, e revela uma máscara humana quando puxo a fumaça, fazendo com que a brasa do cigarro se aproxime do meu rosto e quase beije a minha boca. Quando a droga acaba, eu atiro o pedaço de papel tingido de sépia pela janela, e os anjos voltam a acariciar meu cérebro.&lt;br /&gt;Às 23h, pontualmente, despenco do céu. O som da campainha me nocauteia ao contrário, me tirando da horizontal e me colocando na diagonal. Durante o percurso até a porta, meu corpo chega à vertical. Sinto que existe um caminhão de areia dentro dos olhos e, ao passar diante do espelho da sala, verifico que eles estão muito vermelhos. Abro a porta para uma silhueta feminina. O centro energético do universo se concentra em meu pinto. Convido Sandra para entrar. Uma serpente rasteja até meu corpo de estátua e despeja silenciosamente veneno em minha boca. Um beijo. Dedos sinuosos abrem passagem pelo zíper da minha calça e abraçam o centro energético do universo. Meu coração dispara. Estou com tesão.&lt;br /&gt;Mas não quero que a noite seja curta. Escolho o sofá preto para me sentar, e Sandra desliza na minha direção. Daqui a algumas horas, eu é que terei uma direção para onde deslizar. Seu corpo é perfeito, devido à rigorosa seleção genética para a clonagem, mas eu desejo sinceramente encontrar algum pequeno defeito enquanto subo e desço por sua geografia com o olhar atento. Peço sua nudez de presente e recebo a perfeição. De movimentos quase imperceptíveis de sua boca começam a sair palavras sem definição, e sou obrigado a desligar o som para conseguir dar sentido ao que ela fala. Sua voz parece ter sido criada para se escutar de olhos fechados, e eu só não cedo ao impulso de fechá-los para não perder seu corpo de vista. Sandra, assim como todas as Assistentes Sexuais produtos de clonagem, foi criada para ser apreendida por todos os sentidos. O nome verdadeiro de Sandra é um código alfanumérico tatuado na forma de um código de barras em sua nuca.&lt;br /&gt;Energia elétrica de baixíssima intensidade põe de pé todos os pêlos de meu corpo quando encosto o lado externo de meu braço direito em sua coxa esquerda, que está muito próxima. Enquanto fala, Sandra seduz de propósito. Afasta uma perna da outra alguns centímetros, para que minha imaginação acabe de abri-las. Aproxima um sorriso falsamente tímido de minha boca seca e joga um hálito suave dentro do meu nariz. Me toca quase sem encostar, e eu sinto um terremoto se formar no local de contato. Quando meu pinto já está pulsando quase no mesmo ritmo do coração, convido-a a seguir a trilha de piso sintético que conduz ao meu quarto, ao meu colchão largo. Sou puxado por sua sombra, que executa uma coreografia sedutora sob meus pés, e conto mentalmente os segundos para me dissolver em sua pele de ácido algumacoisaídrico.&lt;br /&gt;Assim que o corpo perfeito naufraga no colchão, focalizo o triângulo pubiano que aponta um de seus vértices para o local onde está enterrado o tesouro. Minha roupa deixa um rastro pelo caminho. Me atiro à piscina de espuma buscando alívio. Minhas mãos pousam em dois joelhos, colados um ao outro, e preciso rasgá-los, até que estejam separados por um ângulo de quase 180 graus. Entre as duas pernas, a racha. Uma boca aberta delimitada por lábios inchados e brilhantes, óleo lubrificante escorrendo através de dobras de pele macia. Um oásis cor de rosa no meio de um deserto de pele branca. Tudo o que eu quero, no momento, é chupar. Meu dedo indicador trabalha com o médio para descobrir o clitóris, e a ponta da minha língua brinca com o que encontro. Mucosa da boca patina sobre mucosa vaginal, sem atrito. Tenho vontade de engolir a boceta, mas paro de chupar quando percebo que Sandra está gozando.&lt;br /&gt;Depois que sua respiração se normaliza, tento usar meus dedos, mas ela quer ficar por cima de mim. A racha engole o pinto e mastiga. Minhas mãos apertam bicos que jorram leite imaginário e minha boca busca o peito direito, para mamar, e eu quase sinto o gosto do leite. Às vezes um beijo chega até meu pescoço, me carimbando com uma marca de batom. Me controlo para não gozar e consigo. Seu corpo desaba sobre o meu. Outro orgasmo.&lt;br /&gt;Enfim decido que quero foguetes explodindo dentro da minha cabeça. Me preparo para, finalmente, gozar, e enfio o pinto o mais fundo que eu consigo. fico por cima, fusão completa. Não economizo beijos na boca e uso as mãos para pressionar sua bunda. Uso força nos quadris e gozo rápido. Esperma em ebulição invade espaços vazios. Meu corpo desmorona como se, de repente, a gravidade ampliasse dez vezes sua força sobre mim. Ainda sinto mãos treinadas abrindo caminho por entre meus cabelos, antes de me teleportar para a dimensão dos sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5544066247375136617-3562062187851521032?l=oscirculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscirculos.blogspot.com/feeds/3562062187851521032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5544066247375136617&amp;postID=3562062187851521032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/3562062187851521032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/3562062187851521032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscirculos.blogspot.com/2007/07/1.html' title='1'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5544066247375136617.post-7352265332141301978</id><published>2007-07-05T08:16:00.000-07:00</published><updated>2007-07-05T08:18:24.619-07:00</updated><title type='text'>2</title><content type='html'>De manhã, o que resta de Sandra, em meu apartamento, é apenas o cheiro doce que exala dos lençóis. Eu ligo o computador antes do banho e tomo banho antes do café. Antes de voltar ao computador, subo na esteira de corrida, coloco o capacete de realidade virtual e faço uma caminhada de meia hora num parque qualquer, em alguma parte do mundo. Durante o passeio eu cruzo com pessoas, representadas por imagens holográficas, que tiveram a mesma idéia que eu. Depois de suar um pouco, tomo outro banho. O metabolismo acelerado me põe na cadeira de trabalho bem disposto.&lt;br /&gt;Meu trabalho consiste em fazer a atualização do mapeamento de setores da cidade a partir de fotos de satélites que chegam através do modem. Depois de prontos envio os mapas atualizados para um outro cara, que transforma os dados bidimensionais em imagens tridimensionais da cidade, recriando a cidade no computador, o que permitirá a qualquer pessoa percorrer a cidade virtual sem sair de sua casa. Satélites enviaram dados durante toda a noite, mas não o suficiente para que eu possa começar a trabalhar já. Talvez a partir das 10h, e são apenas 8h45. A televisão preenche os 75 minutos do meu tempo livre, cuspindo em minha cara notícias sobre um mundo quase imaginário que cerca meu apartamento.&lt;br /&gt;O apresentador, de carne e osso, muda de expressão, acionado por algum controle remoto, conforme as notícias que transmite com falsa emoção. Uma ruga na testa, pelas tragédias de guerras religiosas, transforma-se num sorriso simpático, quando cientistas descobrem um novo medicamento que adia a morte de pessoas infectadas por algum dos vírus letais do momento. Previsão do tempo, expressão neutra. Comerciais. A sobriedade do cenário, em tons de azul, se transforma em imagens coloridas e mensagens que duram 30 segundos na tela de cristal líquido e décadas na mente dos telespectadores. Na volta do boneco de carne e osso, mais informações sobre um mundo ao qual pareço não pertencer. Após uma cena dramática de suicídio, uma voz empostada encerra o telejornal me desejando um bom dia. Sinto que não terei um dia especialmente bom. Ainda assisto à metade de um desenho animado antes de fazer uma escala na cozinha a caminho do computador.&lt;br /&gt;Com metade de uma maçã na mão esquerda e a outra metade na boca, me entrego ao abraço da cadeira desenvolvida para amenizar as tensões musculares. No monitor encontro uma frase que não tem motivo para estar ali. “Você foi selecionado”. Meu dedo indicador provoca o desaparecimento da frase quando encosta no mouse. Trote via modem. Acesso as fotos que os satélites enviaram durante toda a noite (uns dez dias de trabalho pela frente), e dou início a mais uma rotina.&lt;br /&gt;O cigarro da noite passada deixa seqüelas em meu ânimo. A disposição adquirida no passeio virtual se transforma em lentidão, à medida em que vou traçando ruas e quadras em planta baixa. O som cortante do videofone me resgata de quase um transe e ouço o primeiro “feliz aniversário” do dia. Eu não me lembrava. Enquanto minha mãe despeja sobre mim clichês maternos sinceros, faço cálculos para determinar minha idade exata. Trinta e três, a partir de hoje. Agradeço os parabéns e encerro a ligação com um “tchau” talvez um pouco seco. Minha aparência não está das melhores e meu humor idem. Decido desligar o visor para os futuros parabéns e retomo o transe. Recebo poucas chamadas no decorrer do dia.&lt;br /&gt;“Você foi selecionado”... Um trote de aniversário. Repasso mentalmente os poucos amigos, mas não consigo responsabilizar ninguém. Fico com uma pulga plantada atrás da orelha. A concentração no trabalho põe a pulga prá dormir, e atravesso toda a tarde redesenhando ruas vistas de cima, através das lentes dos satélites. No início da noite meu estômago resolve me lembrar que devo me alimentar, e faço uma pausa. Pretendo retomar o trabalho mais tarde até que a exaustão me coloque na cama. A transa que me falta, para completar a cota da semana, fica para amanhã.&lt;br /&gt;O freezer me propõe sete ou oito embalagens plásticas empilhadas, e eu analiso cada uma delas, tentando imaginar o impacto de cada conteúdo dentro de meu estômago. As massas alcançam uma melhor classificação em meu julgamento e, na seleção final, apanho um rondelli de ricota. Enquanto microondas penetram na alma do rondelli, despejo uma Coca-cola, já meio sem gás, dentro de um copo de vidro, e vasculho o armário dos doces em busca das calorias que virão na seqüência. Apanho o óbvio, chocolate, e deixo a barra em cima da geladeira para facilitar mais tarde. O bip do forno dá o sinal que ativa minhas glândulas salivares. Vou para a frente da televisão assistir a video-clips.&lt;br /&gt;Na tela desfilam imagens que não me dizem nada. Assisto à TV como um zumbi. Olhos fixos na imagem, a boca funcionando automaticamente para mastigar, a mão direita alcançando o copo em intervalos regulares de tempo. Com um prato vazio numa das mãos, mas ainda com o gosto de rondelli na boca, caminho em linha reta até a geladeira, em busca do chocolate. Não o decepciono e levo-o para dar uma voltinha em meu estômago. Uma experiência que irá modificá-lo para sempre.&lt;br /&gt;Depois de escovar os dentes, quinze minutos na horizontal me dão novo ânimo para voltar ao trabalho. O videofone ainda toca duas vezes para me lembrar que estou envelhecendo. Na última das ligações reconheço uma voz que já esteve bem próxima de meus ouvidos, sussurrando frases ora indecentes e freqüentemente românticas. A voz, presente em minha memória, ganha um rosto e um nome. Cecília. Desligo o computador, logo após a chamada de Cecília, e me deito com sua voz ainda acariciando meus ouvidos. Tenho um sonho nostálgico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5544066247375136617-7352265332141301978?l=oscirculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscirculos.blogspot.com/feeds/7352265332141301978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5544066247375136617&amp;postID=7352265332141301978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/7352265332141301978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/7352265332141301978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscirculos.blogspot.com/2007/07/2.html' title='2'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5544066247375136617.post-1508398477643824007</id><published>2007-07-05T08:01:00.000-07:00</published><updated>2007-07-05T08:14:55.880-07:00</updated><title type='text'>3</title><content type='html'>Me dou o direito de rolar na cama por mais de uma hora, antes de levantar. As horas a mais trabalhadas no dia do meu aniversário, me dão crédito para economizar energia e ter uma boa noite de sexo. Despenco da cama e vou ao banheiro em busca do prazer de uma mijada. O jato amarelo-claro perfura a água do vaso sanitário produzindo um som agradável no qual eu interfiro, conforme a direção que dou ao meu pinto. Faço desenhos abstratos na água e produzo um ronco concreto quando aciono a válvula da descarga que leva um redemoinho de xixi esgoto abaixo. Meu rosto, no espelho, me pede que eu faça a barba. Antes, porém, preciso amaciar os pêlos debaixo de um banho quente, e os entrego aos 70 graus centígrados da água que cai do chuveiro.&lt;br /&gt;O manto de espuma que me cobre carrega quase 48 horas de sujeira, quando desliza em direção ao ralo. Me enxugo do pescoço para baixo e aproveito a água que escorre em meu rosto para aplicar a espuma de barbear. A lâmina deixa pegadas de sangue à medida em que encontra pequenos relevos na pele. Minha aparência melhora muito e o humor a acompanha. Deixo uma nuvem de vapor atrás de mim quando saio do banheiro e vou ao escritório dar vida ao computador.&lt;br /&gt;Enquanto o monitor dá as boas vindas, mentalizo uma maçã e saio em direção à cozinha para tirá-la da dimensão de meu pensamento e coloca-la no plano físico de minha boca. Embalado pela fome, como um sanduíche de queijo, acompanhado de uma Coca-cola totalmente sem gás, tomo café e roubo algumas uvas do cacho que ainda resta uma semana após as últimas compras. Não preciso esperar muito para que meu intestino dê o alarme. Abro meu cu para a privada e despejo um pouco mais de merda no mundo.&lt;br /&gt;A primeira imagem que o monitor projeta em minha retina é uma frase escrita em letras brancas sobre fundo preto. “Você foi selecionado”. A frase me pega de surpresa. Quem será o imbecil que resolveu interferir em minha rotina assim, sem mais nem menos? De que parte do mundo estão vindo os elétrons que se chocam contra a parede interna do monitor para formarem uma mensagem incômoda? Encosto no mouse e a frase desaparece. Desisto de trabalhar por enquanto e visto uma roupa qualquer para sair de casa caminhar pelas ruas que só tenho visto em fotos aéreas.&lt;br /&gt;Despejo, dentro da mochila azul, um livro que estou tentando terminar de ler há mais de três semanas, um relógio, um casaco, uma barra de chocolate para quando o estômago resmungar, e a máscara de oxigênio para quando os pulmões se cansarem de processar o ar poluído das ruas. Dentro do elevador me deparo com um estranho. Provavelmente um vizinho que, como eu, tem sua toca ligada a um corredor infinito, separado de outras tocas apenas por portas de metal e paredes de concreto. O silêncio é quase uma regra de convivência. O vizinho sai do elevador na minha frente e se mistura à multidão, que caminha num ritmo frenético. Eu entro no rio de gente, logo depois, e tomo a direção do Parque Municipal. Pretendo incluir o livro na lista dos já lidos.&lt;br /&gt;A princípio, a sensação que tenho, por me diluir no fluxo de pessoas apressadas, é boa. Já faz algum tempo que não tenho seres humanos como referência. Eu reparo nas expressões, imagino como deve ser a vida da senhora que olha a vitrine de uma loja que vende eletrodomésticos, espero o semáforo me dar permissão para seguir, ao lado de uma mulher que faria o trânsito parar, se os motoristas tivessem tempo de olhá-la. Quando entro no parque já estou cansado pelo passeio, o suficiente para me deitar em um dos bancos vagos e manter os olhos fechados por uns dez minutos.&lt;br /&gt;Volto à consciência e me preparo para viajar pelas páginas do livro. Retiro o casaco da mochila, para enfrentar o ar mais frio e puro do parque, e procuro, com os dedos, o marcador de livros que está apontando a página 135. O início de um capítulo tranqüilo, após o desfecho de uma passagem conturbada na 134. Meus olhos encontram letras negras que se combinam para criar uma realidade colorida, e percorrem três horas de leitura, até o estômago dar o primeiro sinal de vida.&lt;br /&gt;Meus dedos procuram agora a barra de chocolate que está escondida em algum porão da minha mochila. Encontram-na com facilidade. Quando estou tingindo os dentes com o marrom do chocolate, um homem senta-se ao meu lado e começa a puxar conversa. Decido procurar outro banco para não ter que abrir a boca para formar frases que tenham sentido. Me levanto, sem olhar para trás, e ordeno às minhas pernas que sigam as trilhas do parque, sem pensar em destino. Chego instintivamente ao portão de saída e rumo conscientemente em direção à minha casa. Já estou louco para colocar o capacete de realidade virtual e me deitar sob o sol de uma praia deserta para pegar um bronzeado. No caminho de casa sinto necessidade de colocar a máscara de oxigênio para facilitar o trabalho dos pulmões, que reclamam da má qualidade do ar. O alívio é instantâneo.&lt;br /&gt;Depois de vencer o sistema eletrônico de segurança do prédio, desembarco em meu porto seguro e tiro a máscara. O ar dentro de casa é perfeito. O relógio da sala mostra a passagem de quinze minutos após o meio do dia. Tiro a roupa para tomar um banho de sol e coloco o capacete. Escolho uma praia inventada, ao invés da reprodução de uma já existente, em alguma parte do mundo. Gasto uma hora deitado sob o sol. Quando o estômago dá o segundo alarme do dia, decido encerrar a viagem, e troco o calor da praia virtual pelo frio do freezer, de onde eu tiro uma refeição congelada. O forno de microondas faz sua parte e, antes das duas horas da tarde, já estou alimentado e pronto para cumprir minha obrigação diária com o trabalho.&lt;br /&gt;Me lembro da frase com a qual o computador me recebeu mais cedo, e ligo-o com uma certa apreensão. Nada de frase. Posso retomar os mapas com tranqüilidade e esperar a chegada da noite que promete. Ao mesmo tempo em que construo, no computador, ruas e quarteirões, construo em minha mente a imagem da parceira sexual da noite. Magra, loira, olhos claros (sempre os olhos claros). Talvez mude de idéia quando acessar, mais tarde, o arquivo de Assistentes Sexuais.&lt;br /&gt;Trabalho até a noite substituir o dia através da janela do escritório. A lua cheia já não é mais uma bola branca definida, levitando no céu negro. O excesso de poluição da atmosfera torna as bordas indefinidas, borradas, como se a lua se fundisse com a noite. O vento, que invade o apartamento através das poucas frestas que deixei nas janelas mal fechadas, é um vento de chuva. Saio da cadeira reclinável às 8h47 e tiro a vida do computador. Dois minutos depois, me lembro que ainda irei usá-lo para escolher a boceta do dia, e devolvo a vida ao Frankenstein eletrônico. Percorro todas as janelas do apartamento eliminando as frestas e vou dar uma deitada de quinze minutos antes de iniciar a seleção e a espera, que vai durar as próximas três horas.&lt;br /&gt;A deitada de quinze minutos dura meia hora e eu saio do sofá bem melhor do que estava, quando me deitei. Vou para a frente do computador, abrindo boca, e faço minha escolha ainda bocejando muito. Pele morena, cabelos pretos, olhos pretos, gostosa. Uma mudança radical. A liberdade que o sistema de sexo pago oferece. Hoje Maria, amanhã Mariana; agora seios grandes, daqui a meia hora seios pequenos. Não faz diferença. O Sistema, bem remunerado, trabalhando em função de nossos caprichos.&lt;br /&gt;Como toda expectativa envolve ansiedade, procuro preencher as horas que se seguem com álcool. Entorno uísque dentro de minha garganta até que o efeito da droga me deixe mais sensível, e ligo o som da sala. A música, que entra pelos ouvidos, desemboca diretamente na pélvis, e eu transo com o oxigênio da sala. Danço o tempo que o CD precisa para silenciar-se novamente, e um prenúncio de sono percorre minha cabeça. Não posso me entregar, mas me entrego. Antes, porém, deixo instruções no computador do sistema de segurança da portaria para que permita a entrada de qualquer pessoa entre 11h55 e 12h05, sem a necessidade de me chamar. Durmo olhando as estrelas desfocadas que piscam para mim, vindas do Espaço Sideral.&lt;br /&gt;Tenho um sonho bom, como os que costumo ter. Estou em um deserto, deitado na encosta de uma duna, a minha cabeça apoiada numa almofada azul. Eu sinto o vento percorrendo toda a extensão do meu corpo e zunindo em meus ouvidos. O sol é uma bola preta, quando eu cerro os olhos em sua direção, e eu imagino um som para o que deve ser a atividade química que o faz funcionar. De repente percebo, através dos olhos fechados, que a claridade vai diminuindo. Não consigo mais mover nenhuma parte do meu corpo. Quando tento abri-los, ao invés de ter imagens na retina, tenho apenas dor, e percebo que estou enterrado na areia e que todo o deserto está entrando pelos meus olhos. Calmamente eu os fecho e a dor cessa. Uma voz feminina começa a percorrer os labirintos da minha cabeça, me dizendo que eu não deveria fumar tanta psycho pois meus olhos ficam muito vermelhos e por isso ardem tanto. Abro-os novamente e vejo o rosto de Cecília.&lt;br /&gt;Estou deitado em seu colo, suas mãos acariciando minha testa, seu mundo interior escancarado para mim através de seu olhar transparente. Os movimentos repetitivos de seus dedos me incomodam e eu interrompo o carinho, sutilmente, abraçando seus braços como eu abraço meu travesseiro antes de dormir. No canto direito de sua boca identifico um sorriso de reprovação terna, sinal de que não fui tão sutil assim ao interromper sua dádiva. Estou vivendo uma situação que, em minha biblioteca mental de conceitos, é descrita como o paraíso. Olho lentamente para seus olhos verdes, ou azuis, ou cor de mel (eu nunca sei que cor eles estão assumindo), ou muito provavelmente acinzentados, sob pouca luz, e reclamo que não fumo tanto assim. Sua boca dá vida à brasa do cigarro, enquanto suga a fumaça, e seus dedos tocam meus lábios quando colocam o cigarro em minha boca para mais um trago. Em meus pés eu sinto algo como lambidas e, pelo canto do olho esquerdo, eu vejo que a angorá branca de Cecília está iniciando um banho de língua. Uma música familiar inunda meu sonho e, quando tento me aconchegar novamente no paraíso, o colo quente já não existe mais. Ao meu lado dorme apenas um travesseiro que eu conheço muito bem e, sobre meu dedão do pé direito, uma boca feminina simula uma chupada.&lt;br /&gt;Entendo rapidamente que acabei de acordar e que a assistente sexual já entrou silenciosamente em minha noite e começou a trabalhar. Quero voltar ao colo, qualquer que seja. Pronuncio um “oi” rouco e recebo um sorriso moreno de volta. Chamo o sorriso moreno para perto de minha seriedade amarrotada e abraço aquele corpo estranho como se fosse suficiente para matar toda a saudade que sinto de um certo passado. Não é o suficiente, mas é um começo. Escolho ficar em silêncio e desligo o som familiar que sai do aparelho, estrategicamente colocado a cinco centímetros de onde fica minha cabeça.&lt;br /&gt;Na escuridão completa do quarto, fecho os olhos e aguço os outros sentidos. Me concentro nos cheiros, sons, sabores e toques. Sempre com os olhos fechados, dou ordens à “Mariana” para que me chupe, depois abra as pernas e encaixe a boceta em minha boca, lamba meus mamilos, percorra meu corpo com o sorvete de chocolate que está na geladeira, repita a mesma trilha com a língua, acaricie meu saco, sente em cima de meu pinto e finalmente introduza-o em sua boceta.&lt;br /&gt;Enquanto sou cavalgado, procuro os dois peitos com as mãos, e os seguro. São grandes. Não estou muito preocupado com o gozo de “Mariana”, mas ela goza de repente e eu sou obrigado a esperar. Meu pinto sente suas contrações. Tão de repente como gozou, “Mariana” reinicia seu rebolado experiente sobre mim. Seguro o gozo o máximo que consigo, o que significa que ele vem em dez segundos. Desmaio sobre o colo quente e moreno de “Mariana” e, quando acordo de manhã, estou sozinho na cama. Uma mancha de porra amarelada, no meio do lençol, conta a história da noite anterior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5544066247375136617-1508398477643824007?l=oscirculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscirculos.blogspot.com/feeds/1508398477643824007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5544066247375136617&amp;postID=1508398477643824007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/1508398477643824007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5544066247375136617/posts/default/1508398477643824007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscirculos.blogspot.com/2007/07/3.html' title='3'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
